Jurista feminista comprova: o direito é masculino e patriarcal

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Desde os primórdios da humanidade, os seres humanos à medida em que se organizaram em sociedades e culturas, tiveram a necessidade de estabelecer regras de convívio e critérios para o sanar de problemas econômicos, familiares, criminais e muitos outros. Desde então, chamou-se de “Direito” a ciência social que busca estabelecer parâmetros para se julgar e decidir os rumos das mais diversas disputas sociais humanas. A justiça seria o fim último do Direito, em qualquer parte do mundo, de modo a garantir decisões igualitárias e racionalizadas no âmbito da organização humana.

Contudo, um recente estudo da socióloga e jurista irlandesa Catherine Sorr O’Reedah, em pesquisa realizada para a Galway University of Gender Sciences (Universidade de Ciências do Gênero de Galway) mostra que na verdade, o direito jamais foi universal em sua busca pela justiça. E sim, sempre esteve a serviço e ao dispor de todo exemplar macho da espécie.

Baseando-se nos conceitos de jurisprudência feminista, proposto por sua quase xará, a militante norte-americana Catharine MacKinnon, e de desconstrução, do renomado intelectual francês Jacques Derrida, Sorr O’Reedah em uma rápida entrevista fez uma abordagem de seu inovador trabalho.

Disse que “o Direito” é uma técnica opressora das mulheres em várias culturas no mundo já a começar da linguagem. E isso ocorre principalmente nos países em que palavras frequentemente variam de acordo com o gênero. Quando perguntada sobre a desigualdade de gênero no Brasil, que é um país onde se fala português e onde mulheres lutam para conseguir direitos constantemente a elas negados, ela responde enfática: “O Direito é essencialmente masculino já no seio da gramática portuguesa, notamos claramente o poder do homem no Brasil devido ao artigo masculino ‘o’, que obviamente, confere poder e dominação masculinos a esta disciplina”.

Ainda segundo Sorr O’Reedah, “as mulheres que exercem a função do direito tendem a ter o pensamento ‘masculinizado'”. Quando perguntada sobre a causa disto, a irlandesa foi direta: “é porque foram socializadas na cultura como homens e entendem o direito por uma visão masculinizada de gênero, por mais que não saibam disto”.

A jurista e socióloga conta que seu trabalho tem sido apreciado entre bancas examinadoras de diversas universidades de renome tanto no hemisfério norte quanto no sul. Afirmou também que está trabalhando em um novo livro chamado In Praise of a Female Science: Paradigms on the Creation of New and Emancipatory Studies (Em Louvor à Ciência Feminina: Paradigmas Sobre a Criação de Novos e Emancipatórios Estudos). No qual estabelecerá uma série de critérios para a elaboração de uma “ciência feminina” em contraposição à ciência moderna, em sua visão, “masculina e opressora das mulheres no mundo todo”.

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